quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
sábado, 7 de novembro de 2009
Aprendiz
A vida minha que percorre mais que somente minhas veias e coração palpitante, é escolha diária de um caminho que se mostra misturado a tantos outros mais fáceis e desprovidos de trocas.
Tenho aprendido que o gosto da vida não esta tanto naquilo que solitariamente me faz feliz por instantes, mas naquele sentimento de completude que se corporifica na relação com o outro que de mim se aproxima, ainda que este encontro seja vivido na experiência da incompletude, da falta, do querer mais, do desvio
A incompletude me completa
Aprendi, sim, que meu lado da história revela apenas uma história pobre sedenta de ser completada mais e mais pela vida vivida do outro
Ah, se esqueço este outro, ainda que pronuncie eu palavras de encanto por ele, apago a vida dele em mim, e fico apenas com minha pobreza de história, que não raras vez es de nada adianta
Aprendi que o outro não é um “isso” que meus olhos alcançam no grande almejo da pesquisa; ele é o “Tu” que me ajuda a ser Eu, e tão somente Eu
Tenho aprendido que me falta muito aprender, e que o outro, inteiro, jamais pela metade, é parceiro de minha vida
Se a vida se dá na relação, e se a própria relação é vida, só posso dizer:
Preciso de tua vida em minha vida para eu saboreie a Vida, e não corra o risco de fazê-lo sozinho!
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Corajoso Eu
A vida minha de cada instante é busca incessante de mim mesmo
Uma aventura que caminhos diversos percorre
Que se perde nas densas florestas do medo do que vou achar
Mas ao mesmo tempo é iluminada pela própria animação da busca
Sol incessante que se estabelece em espaços cada vez mais gigantes
Afinal de contas tudo é busca
E a busca é tudo
Se satisfeito fico com o encontro que agora o tempo me oferece,
Perco a oportunidade de no futuro voltar a vê-lo
Quero mais
Me quero mais !
Porém, ao achar-me, me vejo longe de conhecer-me por completo
Me possuo, mas nesta posse a incompletude se inaugura
Mostra-se ela não o negativo que aterroriza minha existência
Mas, sobretudo, a afirmação de uma vida que não se esgota
Um querer mais que me mobiliza na ação
Que se estabelece nela, tão e somente nela!
Ação é vida
Jamais apatia
Jamais abandono
Jamais desistência
Quem para, morre !
Possuo-me porque me busco,
Busco-me porque já me encontrei ... e me quero mais
Desejo encontrar-me por inteiro
Para que, no encontro, Tu possas ter o que encontrar em mim
E assim também aprenda o caminho das florestas
E sejas contagiado pelo sol que me ilumina!
domingo, 31 de agosto de 2008
Recomeçar
O Direito de Recomeçar
A vida é feita de escolhas que, não raras vezes, são marcadas por enganos e insatisfações, realidade motivam sempre uma escolha de recomeço. Tais escolhas, no campo dos relacionamentos, têm suas repercussões das mais diversas formas, mas, neste momento, partilho aquela que tira do outro o direito de recomeçar.
Ao olhar para a realidade social e, sobretudo, pessoal, somos convidados a tomar posse do que chamamos de pessimismo histórico, conceito pontuado por Walter Benjamim e trabalhado de maneira acertada por Márcia Tiburi (2007), tendo a ver com o olhar para o que é péssimo sem tornar-se cativo dele, não sendo um mero olhar de insatisfação geral, como comumente costumamos significar. Este tomar posse de realidades verdadeiras, ainda que não pertencentes ao nosso ideal fantasioso e prazeroso de relacionamento, faz-nos mais humanos, visto que a humanidade abarca o aceite da historicidade.
Transportando tais esclarecimentos para a dinâmica dos relacionamentos afetivos, percebemos que após uma experiência de frustração e luto, temos o ímpeto de fazer escolhas que aprisionam a outra pessoa em nossas lágrimas e dores, atribuindo-lhes a culpa por esta condição, ainda que a outra pessoa já tenha feito uma escolha que não inclua a nossa presença. Neste momento de aprisionamento, ainda que pela carência de diversas realidades, acabamos por nos relacionar com o outro como um EU-Isso (Martin Buber), ou seja, o outro é uma coisa, ausente e sentimentos e história, impedido de realizar escolhas para unicamente compor minha cristaleira hedonistíca.
Se acompanharmos o discurso pedagógico atual, veremos que Jean Piaget está muito presente na educação, principalmente com o que apresenta como “erro construtivo”, que diz respeito ao aprender com o erro, com os processos e amadurecimentos que só o erro - termo não carregado de juízo moral – pode oferecer. Da mesma maneira ocorre nos relacionamentos (e porque não dizer, também, na construção da subjetividade), onde o erro, entendido como o que atrapalha, de certa maneira, aquela liberdade subjetiva buscada pelo sujeito, também proporciona uma experiência da necessidade de ser mais, entretanto, somente aliada à uma consciência de construção subjetiva, ou seja, da necessidade de crescer sem a dependência emocional de um outro.
Quando este reconhecimento acontece, o EU-Isso pode torna-se EU-Tu, ou seja, reconhecendo quem sou - minhas dores, dramas, lutos e desafios – tenho a possibilidade de compreender que, a sublimação (Jacques Lacan), ou seja, o significado que me fará ir adiante, estará mais na dimensão do encontro EU-Tu, o encontro de duas pessoas que se aceitam e se promovem no direito de escolherem e crescerem livremente, que na falsa satisfação do Eu-Isso.
Desta maneira, deixar o outro escolher seu recomeço, o permite chegar mais afundo da condição de ser pessoa, visto que o recomeço é o novo que puxa a antiga condição a um outro patamar, e traz outras possibilidades de vir-a-ser (Vygotsky, ZDP,1992). Impedir ou atrapalhar este recomeço, é o mesmo que roubar do outro sua liberdade de viver.
Ora sofro estas realidades, ora as implico ao outro.
Independente da condição que eu estiver é preciso saber: o meu não-crescer, ou minha imaturidade, não me autorizam a impedir o crescimento e a maturidade do outro, mesmo que isso implique em deixar o outro partir.
Eu e você temos o direito de recomeçar!
Odirlei Roque de Faria
odirleifaria.blogspot.com
